Retardantes de chama: evolução do setor depende de inúmeros fatores

Revista Emergência (novembro de 2014)

O maior incêndio no Brasil em cinco décadas, a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria/RS,em janeiro de 2013, despertou a atenção da sociedade para a necessidade de proteger aspessoas e edificações contra incêndios. Contudo, um aspecto em particular do sinistro,responsável direto pela dimensão catastrófica do desastre, ainda permanece pouco abordado em projetos arquitetônicos, normas e regulamentos. A escolha do revestimento em pisos, forros e paredes, que em Santa Maria se revelou desastrosa e cuja queima produziu uma fumaça tóxica que causou a maioria das 242 mortes, deve levar em conta o seu desempenho em termos de reação ao fogo.

Quando materiais combustíveis são utilizados e, por isso, seu comportamento em um incêndio fica aquém do previsto nas normas, os chamados retardantes de chama podem ser aplicados em sua superfície e com alegada eficácia: possibilitam um tempo dez vezes maior para a fuga em segurança do local do incêndio, afirma Soraya Jericó, presidente da Abichama (Associação Brasileira da Indústria de Retardantes de Chama).

Os retardantes de chama são substâncias químicas utilizadas com o objetivo de retardar a ignição e diminuir a velocidade de queima dos materiais aos quais são incorporados. Eles podem ser adicionados ou aplicados a diferentes tipos de materiais, como têxteis e plásticos, e tornam a propagação do fogo mais lenta. Conforme Soraya Jericó, da Abichama, cada tipo de material pede por um elemento específico para que os retardantes de chama mantenham sua funcionalidade. Ela cita que os produtos podem ser aplicados, por exemplo, em cabos elétricos, eletroeletrônicos e linha branca, meios de transporte rodoviário, ferroviário, aéreo e marítimo, revestimentos de pisos e carpetes, móveis estofados e espumas para colchões, painéis de isolamento acústico e térmicos e forros de tetos.

A criação da Abichama, em 2011, é tida como um marco para o crescimento do setor. “O que buscamos como associação é contribuir para que o mercado local se inspire em normas e regulamentações internacionais no sentido de evoluir na adoção de padrões de inflamabilidade”, afirma Soraya. Para ela, o Brasil conta com estrutura para ensaios de muitos materiais e aplicações, mas para a evolução do setor é inevitável que a demanda por novos laboratórios cresça. No entanto, faz um alerta: a inexistência de laboratórios para determinados testes ou aplicações não pode ser um impeditivo para a inserção de controle de inflamabilidade em novas normas ou na atualização das existentes.

A matéria completa foi publicada na edição nº 68 da Revista Emergência, de novembro de 2014, disponível neste link.